A segurança alimentar como instrumento de inclusão social

A primeira Fazenda Urbana do Brasil foi inaugurada na semana passada em Curitiba. Localizada no bairro Cajuru, a área com 4.435m² está preparada para receber pessoas com deficiência física e visual. O local vai ser usado para incentivar a agricultura urbana e disseminar os conhecimentos sobre a alimentação saudável. O secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Luiz Gusi vai falar sobre a Fazenda Urbana e outros assuntos relacionados a segurança alimentar.

A Prefeitura de Curitiba entregou nesta semana a Fazenda Urbana. Qual o diferencial da fazenda e o que a torna inovadora?

O projeto da Fazenda Urbana pioneiro e tem como objetivo juntar conhecimentos e difundi-lo para a prática da agricultura urbana sustentável. A intenção é propor um trabalho de imersão das pessoas de todas as idades, priorizando as escolas municipais, pessoas que já participam do projeto das hortas comunitárias e todas as pessoas que têm interesse em praticar a agricultura urbana. Faremos na fazenda uma grande imersão vivencial com uma prática simples porque a partir do momento que você tem uma lida com a terra de maneira criativa, a gente resgata o sentido da vida, a vida que busca trabalhar diminuindo o desperdício de alimentos, vida que busca a ocupação de espaços urbanos hoje vazios e que podem produzir alimentos, a vida que estimula as pessoas a mudar a qualidade alimentar. Nós precisamos aumentar o consumo de produtos saudáveis, de vegetais. Então, a Fazenda Urbana terá esse papel inovador de através de práticas simples, que vem dos nossos ancestrais que é a atividade de plantar e colher, mudar todas uma visão de segurança alimentar da cidade. Ela também vai servir como atrativo às startups, às universidades, aos centros de pesquisa que vão se utilizar de todo o espaço para desenvolver trabalhos de pesquisa de tecnologia e isso é um grande diferencial para a nossa cidade.

Como as pessoas poderão participar da fazenda?

A fazenda busca a interação e inspiração das pessoas e nós estamos vivendo um momento atípico em função da pandemia. Assim que tivermos uma situação mais adequada para o convívio social, nós vamos atender todas as pessoas que tenham interesse, desde as pessoas que já tenham conhecimentos como os horteiros que trabalham em espaços comunitários destinados à agricultura urbana, até uma pessoa que mora em apartamento e deseja obter conhecimento para fazer a própria produção de alimentos em pequenos espaços.

Na elaboração do projeto da fazenda, há acessibilidade para pessoas com deficiência. A preocupação com a inclusão é também uma constante para a segurança alimentar?

A fazenda foi estruturada com canteiros elevados para permitir que pessoas que usam cadeiras de roda possam participar do plantio. Além disso, temos também o jardim das sensações destinado às pessoas com deficiência visual para que elas possam ter a oportunidade de sentir os sabores, os gostos e os cheiros dos alimentos produzidos. Recentemente a Prefeitura, por meio de um Projeto de Lei do vereador Pier, ampliou o acesso às pessoas em situação de vulnerabilidade econômica nos Armazéns da Família. Qual a importância dessa medida? A secretaria já detectou aumento no movimento? As pessoas estão comprando mais no Armazém? É uma revisão da lei do Fundo de Abastecimento Alimentar (FAC) que no momento de pandemia, como o que estamos vivendo, é fundamental porque propicia o acesso a qualquer pessoa que esteja em estado de vulnerabilidade econômica. O Armazém da Família destina hoje apoio às famílias com renda familiar de até cinco salários mínimos. Então através de uma declaração, qualquer pessoa pode acessar esses benefícios no programa. Vale ressaltar que o Armazém da Família conta com cerca de 300 itens a preços, em média 30% mais em baratos do que os vendidos nos mercados convencionais. O objetivo é valorizar a renda das pessoas afetadas pela pandemia. Desde que a lei foi sancionada, nós detectamos um significativo aumento nas 34 unidades em Curitiba.

Ainda nesse mesmo projeto, foi ampliado o acesso às pessoas que sofrem de intolerância alimentar como celíacos e intolerantes à lactose. Essa também é uma forma de inclusão?

A ampliação da lei permite a qualquer pessoa, interdependente da sua renda devidamente comprovada, possa acessar os benefícios do Armazém da Família. Para pessoas com intolerância à lactose, com intolerância à glúten, ou pessoas que precisam de uma alimentação especial é fundamental o atendimento do programa no sentido de não só promover acesso, mas também atender as questões da segurança alimentar. O custo da alimentação diferenciada é maior. Então, a inclusão desse aspecto na lei beneficia muitas pessoas que vão fazer uma economia em função de ter o acesso ao armazém. Outra questão importante, como o Armazém da Família exerce o poder de regulação de preço no mercado como um todo, a partir do momento que as pessoas são beneficiadas pela solidificação na lei, tem acesso ao armazém é isso vai influenciar com que o varejo tradicional também reveja suas políticas de preço na questão de alimentação para pessoas que tem intolerância alimentar.

O vereador Pier protocolou nesta semana um Projeto de Lei que visa oferecer mais segurança para a pessoa celíaca ao precisar ficar internada em hospital. Qual a importância desse projeto para os curitibanos?

É importante destacar, primeiramente, esse crescimento da visão dos vereadores e aqui destaco o vereador Pier, nosso líder de governo, para segurança alimentar. A política do prefeito Rafael Greca na segurança alimentar tem sido uma das prioridades. O cuidado e a dimensão da segurança alimentar são transversais em várias áreas como ações na área da saúde, meio ambiente e na questão social. Então a partir do momento que o legislativo começa a perceber que a população precisa melhorar não só o aspecto não alimentar, mas alimentação consciente e mais um projeto de lei que vem nesse sentido é uma conquista na questão alimentar, parabenizamos o vereador por essa visão é que isso estimule a câmara a ter um olhar mais estratégico por aspectos da segurança alimentar e nutricional.

Alguma consideração que acredite ser importante destacar?

É importante a gente destacar que o prefeito Rafael Greca prioriza a política de segurança alimentar e nutricional dentro de três pilares: Um deles é o pilar da agricultura urbana, que é uma prática uma prática simples de plantar e colher, através das hortas, da fazenda urbana. As pessoas vão não só produzir alimentos, mas melhorar sua qualidade alimentar, visar mais das questões ambientais, vão prestar mais atenção as questões sociais em função do desperdício de alimentos da ação de doação de alimentos principalmente nesse momento de pandemia. Outro aspecto importante é que não podemos pensar em segurança alimentar considerando só Curitiba. Nós temos que considerar para a região metropolitana, o mercado comum metropolitano.  Curitiba tem um mercado a ser abastecido diariamente para atender mais de 1 milhão e 800 mil pessoas, dentro de uma região metropolitana com quase 4 milhões de consumidores. Então pensar a segurança alimentar é pensar na Grande Curitiba como uma cidade polo que é um mercado consumidor, que é um mercado estratégico. Outro ponto importante destacar é a segurança alimentar destinada a população em extrema vulnerabilidade social, nisso nós temos o programa mesa solidária, uma iniciativa do prefeito Rafael Greca. Que hoje disponibiliza três espaços, O restaurante popular no Capanema, na praça Plinio Tourinho e o restaurante popular da matriz, onde disponibiliza espaços públicos para que diversas entidades sociais religiosas possam fazer um trabalho digno de levar alimentos principalmente a população em situação de rua, espaços dotados de estrutura necessária para que as pessoas possam higienizar a mãos, podem sentar à mesa com mais dignidade. Então promover todo esse acesso social é mais uma iniciativa da segurança alimentar.

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