A saúde mental em estado de alerta. Como lidar com os efeitos causados pela pandemia

A pandemia por coronavírus tem deixado as pessoas em estado de alerta constante, o que contribui para afetar a qualidade da saúde mental. Devido o distanciamento social, a ansiedade, a insegurança e a tristeza tem sido uma constante. Como lidar com esses sentimentos sem afetar a saúde? A coordenadora do departamento de saúde mental de Curitiba, Flávia Adachi, vai dar algumas dicas e também falar como a cidade está preparada para enfrentar os problemas de saúde mental em decorrência da pandemia.

Hoje, o tema saúde mental está em evidência por conta da pandemia. Muitas pessoas estão sofrendo mais com ansiedade e depressão. Como lidar com isso?

Sentir preocupação, medo e manter-se alerta nesse período de pandemia é uma reação natural, faz parte do instinto de defesa do ser humano. Nem todos os problemas psicológicos apresentados significam uma doença, e utilizar dos canais de apoio virtual ou telefônico disponíveis, seja por serviços públicos, privados ou programas de voluntariado, pode ser um bom auxílio na prevenção, evitando o agravamento dos quadros emocionais.

Algumas dicas para as pessoas cuidarem da sua saúde mental nesse período, compreendem:

– Manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato por meio virtual (redes sociais, email, telefone etc) com familiares, amigos e conhecidos;

– Envolver-se ativamente em ações solidárias para compartilhamento do cuidado familiar e comunitário, experiências geradoras de pertencimento social;

– Estar atento a sentimentos e demandas internas, utilizando-se de estratégias de autocuidado já utilizadas em situações de crise ou sofrimento passadas;

– Buscar manter-se saudável com exercícios e ações que diminuam o nível de estresse (meditação, leitura etc), sono regular e dieta balanceada;

– Evitar uso de tabaco, álcool ou outras drogas que podem prejudicar o bem-estar físico e mental.

– Evitar excesso de notícias alarmistas, que podem aumentar a ansiedade; buscar fontes confiáveis de informação, evitando boatos e “fake news”.

Quando é necessário procurar ajuda profissional? E como funciona para ter atendimento pelo SUS? Qual o caminho?

Algumas manifestações emocionais e físicas ou somáticas podem persistir mesmo a pessoa utilizando recursos pessoais e seguindo as dicas para manter-se saudável. Alterações significativas no sono, apetite, energia vital, pensamentos negativos persistentes, que afetam a rotina, as relações e a capacidade laboral da pessoa, são sinais de alerta que indicam a necessidade de buscar ajuda profissional.

Os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS de Curitiba, são nesse momento de pandemia, o serviço de referência para as situações de saúde mental quando houver agravamento e persistência dos sintomas, atendendo a população referenciada ou por busca espontânea diretamente nos serviços.

Em caso de dúvidas sobre a necessidade ou não de ajuda profissional, as  Unidades de Saúde também podem prestar um primeiro atendimento, pois contam com apoio de profissionais especializados em saúde mental (psicólogos e psiquiatras) – Segue lista das 74 Unidades de Saúde – https://mid.curitiba.pr.gov.br/2020/00295876.pdf

 Quais são as ações da saúde mental de Curitiba durante a pandemia? O que a cidade tem oferecido às pessoas?

Para acolhimento emocional, foi implantado o serviço TELEPAZ, que conta com psicólogos que atendem nos ambulatórios de saúde mental da Secretaria Municipal da Saúde e psicólogos do Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria de Administração e de Gestão de Pessoal. A proposta do serviço é ouvir as pessoas para entender o que está acontecendo, oferecendo um apoio emocional por telefone e se identificada necessidade de um atendimento especializado presencial, presta-se orientação do local e endereço que a pessoa deve buscar a ajuda.

O Serviço TelePaz funciona de 2ª a 6ª feira, das 8:00 as 18:00 horas, e conta com uma linha exclusiva para servidores da Prefeitura Municipal de Curitiba e outra para a População em Geral. A população deve ligar: 3350-8500 e servidores: 3350-8200.

Os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, tornaram-se nesse período, o serviço de referência em saúde mental para os territórios, podendo atender não somente os casos graves que são de sua competência, mas também aqueles moderados ou até mesmo os mais leves. As atividades coletivas como oficinas terapêuticas, estão suspensas devido à pandemia e assim os profissionais tem se dedicado ao acolhimento de novos casos e atender de forma individual aqueles que necessitam. Os profissionais intensificaram a ação de monitoramento dos casos (através de contatos telefônicos), realizando atendimento presencial ou através de visitas domiciliares sempre que identificada a necessidade. Também contam com a retaguarda de leitos de hospitalidade para as pessoas que estejam em crise e precisem do acompanhamento mais intensivo.

Uma das três unidades do projeto Nova Morada Vida Nova, os hotéis sociais da Prefeitura, oferta hospedagem durante a noite para pessoas em situação de rua que fazem tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Qual a importância do projeto na vida de uma pessoa em situação de vulnerabilidade social? Pode representar uma garantia que o tratamento feito no Caps evolua?

Em Curitiba há uma parcela da população que vive em situação de vulnerabilidade social (situação de rua), que devido aos problemas relacionados à área da saúde mental (portadores de transtorno mental e/ou uso de álcool e drogas) estão em tratamento nos CAPS. Objetivando a potencialização do tratamento desses usuários estabeleceu-se parceria com a Secretaria de Defesa Social e Trânsito – Departamento de Política sobre Drogas – DTPSD, que viabilizou uma das duas Unidades do Projeto Nova Morada Vida Nova (hotel social) para a referência à este público. Esse recurso, caracterizado como um espaço de moradia transitória, conta atualmente com 50 vagas. Possui também como objetivo, além da garantia de um espaço de moradia como suporte, constituir-se como instrumento para a reinserção social do sujeito pela via da profissionalização e do trabalho, visto a oferta de cursos e oficinas para esse público especificamente.

Como são as instalações desta unidade? O que o projeto oferece às pessoas?

O hotel social conta com quartos para receber o público tanto masculino quanto feminino, no período noturno, todos os dias da semana. No local é ofertada alimentação (jantar e café da manhã), além de toda a estrutura necessária de dormitórios e banheiros.

Como o projeto Nova Morada funciona para as pessoas que estão em tratamento nos Caps? Qual a porta de entrada?

A seleção dos usuários para o uso do equipamento é feita por profissionais dos CAPS os quais identificam os usuários que encontram-se estáveis em relação à sintomatologia psiquiátrica e clínica, e que possuem motivação para a retomada da vida profissional, ou até mesmo pessoas que já se encontram vinculadas a algum trabalho. Além do encaminhamento, cabe às equipes do CAPS manter processo assistencial e de monitoramento desses usuários

Nesses 6 meses de funcionamento, percebeu-se que o hotel social foi incorporado pelas equipes dos CAPS como um recurso valioso do tratamento. Há relatos, tanto dos profissionais quanto dos usuários, que o projeto tem servido como um motivador para a melhora do quadro dos usuários, bem como incentivo à manutenção dos usuários em seus respectivos tratamentos. Dessa forma percebe-se que a garantia de um endereço pode funcionar como um fator protetivo na questão da saúde e exercício da cidadania.

A rotina, tanto nos Caps quanto no hotel social, mudou após a pandemia? Quais são os cuidados que vocês estão tomando para garantir segurança aqueles que necessitam de tratamento?

Diante do cenário atual da pandemia da Covid-19, ações de cuidado em saúde e higiene foram efetuados diretamente no hotel para equipe e usuários. Também houve uma ampliação contratual junto ao hotel que tem permitido o funcionamento 24 horas do mesmo para atuar como retaguarda aos usuários vinculados ao projeto que apresentam quadros respiratórios que necessitam isolamento domiciliar. Equipe do Consultório na Rua foi designada para o acompanhamento de tais usuários diretamente no hotel. As informações coletadas pela equipe do Consultório na Rua são repassadas às equipes dos CAPS, promovendo a integralidade no cuidado.

Vereador Pier Petruzziello e a coordenadora do departamento de saúde mental de Curitiba, Flávia Adachi.

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